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Liturgia
"Quando ia
celebrar com seus discípulos a Ceia Pascal, onde instituiu o
Sacrifício do seu Corpo e Sangue, o Cristo Senhor mandou
preparar uma sala ampla e mobiliada" (IGMR Proêmio,1).
"A Igreja sempre assumiu como ordem a si dirigida a obrigação
de preparar as pessoas, os lugares, os ritos e os textos para
a celebração da Santa Missa" (idem).
Há normas para tudo. Norma não significa fôrma. Significa
disciplina e ordenamento. Significa que a liturgia não pode
ficar à mercê de gostos pessoais, de modismos, de inovações de
gosto duvidoso, de acréscimos supérfluos ou de supressões por
comodismo. Lembremos, a propósito, um ponto importante: a
Igreja admite a possibilidade de se fazerem adaptações na
Liturgia. Adaptação pode significar: amoldar a liturgia a
determinada cultura, substituir palavras ou ritos
inexpressivos em tal cultura ou extrato social. Deve-se,
todavia, levar em conta que qualquer adaptação deverá sempre
concorrer para uma melhor compreensão, um enriquecimento, ou
para eliminar conflitos com certo costume ou cultura.
Conclusão prática: nem acréscimos supérfluos, nem supressões
por comodismo.
"A celebração da Missa, como ação de Cristo e do Povo de Deus
hierarquicamente ordenado, é o centro de toda a vida cristã,
tanto para a Igreja Universal como local... As demais ações
sagradas e todas as atividades da vida cristã a ela estão
ligadas, dela decorrendo ou a ela sendo ordenadas" (IGMR 1).
Não se confunda Liturgia com ritos. Os ritos (gestos,
movimentos, ações, sinais externos) são necessários porque não
se faz Liturgia só com palavras e idéias¹. Não obstante, são
complementares, como também o são os cânticos, as cores
litúrgicas, os objetos, as vestes.
"A Liturgia deve ser de tal modo disposta que leve todos os
fiéis à participação consciente, ativa e plena de corpo e
espírito, animada pelo fervor da fé, da esperança e da
caridade" (IGMR 3).
Como se vê, a Liturgia começa "em todas as atividades da vida
cristã" e a conduz à santidade. Não será apenas com ritos,
gestos ou cânticos que se vai conseguir essa participação
ativa e frutuosa da Missa. Celebração, comunhão, participação
supõem disposição interior. Não bastam gestos externos. Estes
apenas servem para conduzir o corpo e condicionar a mente.
"Na Missa, a Ceia do Senhor, o povo de Deus é convocado e
reunido sob a presidência do Sacerdote que representa a pessoa
de Cristo" (IGMR 7).
Este texto acena para o preceito dominical que é da Igreja.
Acrescente-se que Jesus ensinou: Pai Nosso, ...venha a nós,
...perdoai-nos, ...não nos deixeis, etc... Ele nos quer
reunidos, usou expressões no plural para significar que a
melhor maneira de orar é em comunidade, em família. Igreja é
grupo. É bom orar sozinho, mas em grupo é melhor. Ninguém faz
liturgia sozinho. Desse texto também se deduz: se o povo é
convocado pela Palavra de Deus, cujo portador é o pároco, este
é que deveria acolher o povo convocado. Neste caso, não faz
sentido dizer, como dizem alguns: "Vamos ficar de pé para
acolher nosso celebrante com o canto de entrada".
Primeiramente, não é correto dizer "o celebrante", como se os
outros participantes não o fossem; além disso, o canto de
entrada, que hoje se diz de abertura, não é para acolher
ninguém, mas para proclamar o mistério que se celebra, para
despertar e sensibilizar a comunidade e, conseqüentemente,
uni-la em torno do mistério. Serve, portanto, para iniciar a
comunhão.
Conclusões Práticas:
Sem presidência não se faz Liturgia, já que os ritos devem ser
ordenados.
Liturgia é comunhão dos irmãos com Jesus Cristo em busca do
Pai.
Pelo Batismo, todo cristão participa do sacerdócio de Jesus;
por isso, todo cristão é celebrante a seu modo (a modo de
participante do sacerdócio de Jesus).
Além do Batismo, o sacerdote tem o Sacramento da Ordem pelo
qual ele é constituído "celebrante principal" ou "celebrante
nato" da assembléia dos cristãos que celebram.
A Santa Missa é toda, inteira, uma "ação consagratória"; o
canto de abertura inicia a celebração.
"A Missa consta, por assim dizer, de duas parte, a saber: a
Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, tão intimamente
unidas que constituem um só ato de culto" (IGMR 8).
A Missa propõe, portanto, a Mesa da Palavra e a Mesa do Corpo
de Cristo. Os ritos de abertura e os de encerramento são
complementares. Muito acertadamente, dizemos que a eucaristia
é alimento e é remédio. Não esqueçamos: Jesus é o Libertador.
Ele tomou, como ponto central, para o exercício de sua missão,
o socorro às nossas fraquezas e deficiências. Inúmeras vezes
em sua pregação Ele fez alusão a isso: "Não são os sadios que
precisam de remédio, mas os enfermos... Eu não vim para curar
os justos, mas os pecadores". E quantas vezes Ele multiplicou
os alimentos e quantas outras se manifestou numa refeição? Com
os apóstolos, após sua ressurreição; com os discípulos, a
caminho de Emaús; na casa de Zaqueu; nas caminhadas, quando
seus companheiros colhiam trigo; e nas parábolas: fermento na
massa, o semeador... Quanto ao perdão e a misericórdia: a
vocação de Mateus, Zaqueu, a mulher adúltera, a samaritana, o
bom samaritano, o paralítico, a pecadora... Todos os seus
milagres foram feitos para libertar alguém. A Eucaristia
também! Além da fé, a correta recepção da Eucaristia depende
também de bom senso. Longe de nós escrúpulos ou rigorismos,
achando que somente aqueles que não têm pecado podem receber a
Eucaristia. Ela é alimento e é remédio. De outro lado, devemos
considerar também que ninguém recebe a Eucaristia por ser
pecador, no sentido de que é necessário que se tenha pecados
para poder recebê-la. Vejamos, então:
O ser pecador é uma condição humana e não uma exigência.
O ter pecados exige algum reparo: que pecados? Com que
freqüência?
A grande solução é querer não ter pecados, é buscar a
conversão, a mudança de vida.
O mais correto, pois, é dizermos que recebemos a Eucaristia
apesar de pecadores e não por sermos pecadores. É bom notar
que esses três pontos formam um critério pastoral para a
distribuição e recepção de todos os Sacramentos. Lembremos
aqui um ponto importantíssimo: o sacerdote é distribuidor e
guardião dos Sacramentos. Distribui aos que merecem e defende
dos que abusam.
Legenda
¹ Liturgia é ação!
1. "Instrução Geral sobre o Missal Romano" (IGMR).
2. "Anotações Gerais do Diretório Litúrgico" (DL).
3. "Inaestimábile Donum" (ID), instrução do papa João Paulo II
sobre o culto da Eucaristia (abr./1980).
RITOS INICIAIS
São os primeiros momentos da liturgia da missa. Objetiva
estabelecer um clima de acolhimento dos fiéis, levando-os à
unidade e preparando-os para a celebração litúrgica do dia que
ora inicia-se. É um momento breve, que antecede a proclamação
da Palavra de Deus, mas que motiva a participação da
comunidade pelo resto da celebração.
COMENTÁRIO INTRODUTÓRIO
O comentário introdutório, feito pelo comentarista da
celebração, marca, de certa maneira, o início da Santa Missa.
Em algumas comunidades é precedido pelo som do sininho, que
indica aos fiéis presentes para que interrompam suas orações
particulares e se unam na Oração Oficial e Comum da Igreja.
O comentário inicial convida a participação coletiva dos fiéis
e visa criar um ambiente propício para a oração e a fé. Em
geral, o comentário situa os presentes num determinado "tema"
que será abordado mais profundamente nas leituras da Bíblia,
durante o Rito da Palavra. Por exemplo: numa missa de corpo
presente, chamará a atenção para a alegria do encontro com
Deus e da esperança da ressurreição; no Natal, para a
Encarnação do Verbo, prevista pelos antigos profetas; na
Páscoa, para a ressurreição de Cristo, que marca a vitória
sobre a morte e alcança a salvação para o gênero humano...
A assembléia pode ouvir o comentário sentada, uma vez que a
celebração, de fato, só tem início com o Canto de Abertura,
quando o sacerdote e os demais ministros entram em procissão,
como veremos a seguir.
Sobre o comentarista em si, observamos que ele deve ser
discreto, evitando chamar a atenção dos fiéis sobre si. Deve,
quando for possível, ocupar um lugar afastado do altar e usar
roupas de cores suaves e cortes discretos. Também deve ser uma
pessoa preparada para o ofício: sua voz não deve jamais se
sobrepor ao do sacerdote, presidente da celebração; deve falar
olhando para a assembléia de fiéis de forma breve, clara e sem
pressa (logo, não pode ser uma pessoa tímida, nem com
dificuldades de fala ou leitura). Nas comunidades que não
utilizam folhetos litúrgicos pré-impressos, cabe ao
comentarista preparar os comentários, uma vez que ele também
faz parte da Equipe de Celebração. Havendo missas em diversos
horários, poderão os diversos comentaristas prepararem um
único e mesmo comentário; neste caso, cada comentarista pode
"assumir" um determinado horário ou, se for oportuno, poderá
ser adotado o revezamento de comentaristas nos diversos
horários (o primeiro caso favorece o comentarista pois,
acostumando-se com as pessoas que costumam a freqüentar aquele
certo horário, acaba por vencer naturalmente a timidez,
ganhando maior segurança; o segundo caso, porém, favorece mais
a comunidade pois a diversidade de vozes pode quebrar qualquer
sentimento de monotonia que a mesma voz de sempre pode causar
- é preciso recordar que, infelizmente, poucas são as
comunidades que contam com mais de um padre e, por isso, é
importante variar as vozes onde for possível).
CANTO DE ABERTURA
O Canto de Entrada ou Canto de Abertura, como é menos
conhecido, ainda que tenha um sentido mais íntimo com o
significado original, marca o início oficial da celebração
litúrgica, motivo pelo qual todos deverão ficar de pé. Caso a
comunidade não se coloque nesta posição espontaneamente, cabe
ao cantor fazer esse convite; o convite somente deverá partir
do comentarista quando inexistir a figura do cantor na
comunidade ou quando as músicas forem cantadas por um coral.
Enquanto este canto está sendo executado, o sacerdote,
juntamente com seus ministros, se dirige - geralmente pelo
corredor central do templo - para o altar, onde será oferecido
o Santo Sacrifício.
O Canto em Si
O Canto de Abertura, assim como os demais cantos, deve
expressar ligação com o "tema" da missa. Não tem nexo cantar
músicas que abordem o Nascimento de Cristo na missa de Páscoa,
da mesma forma como é sem sentido cantar músicas que louvem a
vida de Nossa Senhora na solenidade de São Pedro e São
Paulo... Por isso, as músicas que deverão ser cantadas durante
a celebração da Santa Missa não devem ser escolhidas na última
hora pelo(s) cantor(es); ao contrário, devem ser fruto de um
certo amadurecimento, após acordo entre todos os componentes
da Equipe de Celebração (comentarista, leitores, cantores,
liturgistas e, inclusive, o próprio sacerdote).
Quando a comunidade não segue folhetos litúrgicos
pré-impressos, torna-se também possível mesclar músicas de
"missas diversas", isto é, desde que a comunidade possua um
considerável acervo de partituras e as letras dessas músicas
se enquadrem perfeitamente com a liturgia ("tema") do dia.
Na verdade, quero chamar a atenção para o planejamento, isto
é, para o cuidado de seleção das músicas. Não existe nada pior
quando participamos de uma missa onde a espontaneidade (que é,
sem dúvida, algo louvável) dá margem para o abuso,
principalmente em termos musicais, pela falta de preparo da
liturgia, o que reflete um certo desdém para com as coisas de
Deus. O que tem a ver cantar "Noite Feliz" em plena Semana
Santa?? Se você responder: "Nada!" então entendeu muito bem o
que quero dizer e, certamente, já deve ter visto (ou melhor,
ouvido) isto ou até mesmo coisas piores...
O Cantor
A música pode ser cantada de diversas formas: por um cantor,
por uma dupla ou trio, por um coral, ou por toda a comunidade,
sem a presença necessária de alguém para "puxar" a música
oficialmente.
Havendo cantor(es), com a exceção de coral, este(s) também
deve(m) usar roupas de cores e cortes discretos, como já vimos
quando abordamos sobre o comentarista. Deve-se evitar ao
máximo cantores reconhecidamente "desafinados", para não
transformar a missa em verdadeiro suplício para a assembléia;
neste caso, é melhor deixar o canto sob responsabilidade de
toda a comunidade pois, assim, o afinação de alguns encobre
(ou melhor, equilibra) a desafinação de outros... Havendo a
participação de um coral, estes poderão usar roupas
padronizadas ou não e, devem, quando as condições do templo
permitirem, utilizar o coro, geralmente localizado na parte de
trás e sobre o pórtico principal (isto porque, na verdade, é o
local mais apropriado por causa da acústica).
As músicas poderão ou não ser acompanhadas por instrumentos
musicais. Em geral utiliza-se o órgão ou o violão, mas isto
não impede que outros instrumentos sejam usados. O importante
é que não haja abusos, transformando a missa num show de rock
(o centro das atenções é Deus, a quem adoramos, e o ponto alto
da missa é a consagração do Pão e do Vinho, e jamais o grupo
musical, o cantor, ou quem quer que seja). Esta observação é
fundamental porque infelizmente tais abusos não ocorrem com
rara frequência...
A Genuflexão e o Beijo no Altar
Quando o sacerdote e seus ministros chegam diante do altar,
fazem uma genuflexão simples em sinal de reverência; a seguir,
os ministros dirigem-se para os seus lugares e o sacerdote vai
até o altar e o beija, em sinal de veneração; com este gesto,
não está venerando a pedra ou a madeira, mas o próprio Jesus
Cristo, que é o centro da nossa fé. Se estiver usando incenso,
deverá incensar o altar, em toda a sua volta: será ali que
será oferecido o Santo Sacrifício, durante o Rito Sacramental.
Após isso, o sacerdote se dirigirá para a sua cadeira, diante
ou atrás do altar e aguardará o término da execução do Canto
de Abertura.
ACOLHIDA
Encerrado o Canto de Abertura, o sacerdote presidirá o Sinal
da Cruz, invocando a Santíssima Trindade:
- Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!
Ao que toda a comunidade, em um só coro, responderá com um
breve e sonoro Amém.
Toda celebração cristã começa e termina com este sinal. A
cruz, segundo o sublime ensinamento de São Paulo, é sinal de
vergonha e morte para os descrentes e pagãos, mas é, ao mesmo
tempo, sinal de vitória e orgulho para os cristãos: foi por
sua morte na cruz que Cristo nos reconciliou com o Pai e nos
alcançou a Salvação; foi por sua morte na cruz que Cristo
ressuscitou dentre os mortos, vencendo a morte - salário que
todo homem comum recebe por seu pecado - e nos garantiu a
esperança da ressurreição de nossos próprios corpos.
Ao fazermos o sinal da cruz, professamos que o nosso
pensamento (cabeça), vontade (peito) e ações (ombros) estão
voltados para Deus, estando em harmonia com a Santíssima
Trindade e sob a proteção de Deus.
SAUDAÇÃO
Feito o sinal da cruz, o sacerdote abre os seus braços, em
sinal de acolhida, e saúda toda a assembléia presente. Para
isso, pode fazer uma saudação espontânea, envolvendo o amor e
paz da Santíssima Trindade, ou usar qualquer uma das fórmulas
sugeridas:
A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a
comunhão do Espírito Santo estejam convosco!
A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso
Senhor, estejam convosco!
O Senhor que encaminha os nossos corações para o amor de Deus
e a constância de Cristo esteja convosco!
O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em
nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco!
A vós, irmãos e irmãs, paz e fé da parte de Deus, o Pai e do
Senhor Jesus Cristo!
Irmão eleitos segundo a presciência de Deus Pai, pela
santificação do Espírito, para obedecer a Jesus Cristo e
participar da bênção da aspersão do seu Sangue: graça e paz
vos sejam concedidas abundantemente!
A comunidade, então, responderá alegremente: Bendito seja Deus
que nos reuniu no amor de Cristo!
O sacerdote também poderá saudar a assembléia com um simples:
O Senhor esteja convosco! Neste caso, a comunidade deverá
responder: Ele está no meio de nós!. Se o presidente da
celebração não for padre, mas sim bispo, poderá ele saudar
com: A Paz esteja convosco! Ao que responderá a assembléia: O
amor de Cristo nos uniu!
ANTÍFONA DE ENTRADA
São breves palavras que o sacerdote ou o diácono fazem para
introduzir os fiéis na missa do dia. Em regra, costuma a ser
um versículo bíblico que tenha total ligação com o "tema" da
missa, com as leituras que serão feitas durante o Rito da
Palavra.
Ainda que muitas celebrações não a levem em conta, passando
despercebida, a Antífona de Entrada não deve ser omitida, pois
possui particular beleza e sentido.
ATO PENITENCIAL
O Ato Penitencial é um convite que o sacerdote faz para que
todos façam um exame de consciência e reconheçam os seus
pecados. Na verdade, todos nós somos pecadores. São João, em
sua primeira epístola diz: "Aquele que disser que não possui
pecado é um mentiroso".
No nosso dia-a-dia, muitas vezes sem querer e até sem
perceber, cometemos pecados que nos afastam da amizade de
Deus. Pecamos por pensarmos em coisas que não são dignas de um
verdadeiro cristão, por proferirmos palavras ofensivas ou
duvidosas, por atos que prejudicam outros irmãos e até mesmo
omissões, quando ficamos em cima do muro, não querendo nos
envolver em algo que vemos de errado...
Devemos, assim, fazer penitência e arrepender-nos do pecado.
Não um arrependimento de palavras, mas um arrependimento
sincero e consciente. Pelo Ato Penitencial nos reconciliamos
com Deus e com os nossos irmãos e temos o perdão dos nossos
pecados. Porém, o Ato Penitencial não pode ser confundido com
o Sacramento da Penitência (Confissão), já que, se tivermos
pecado gravemente deveremos, antes, confessar esses pecados
para recebermos a absolvição sacramental. O Ato Penitencial
tem, assim, eficácia sobre os pecados leves, veniais, e não
sobre os graves, mortais.
O Ato Penitencial propriamente dito deve ser precedido do
convite para a penitência. Este convite deve ser feito pelo
sacerdote e pode ser espontâneo ou seguir uma fórmula
pré-estabelecida como, por exemplo:
Irmãos e irmãs, reconheçamos as nossas culpas para celebrarmos
dignamente os santos mistérios.
O Senhor Jesus, que nos convida à mesa da Palavra e da
Eucaristia, nos chama à conversão. Reconheçamos ser pecadores
e invoquemos com confiança a misericórdia do Pai.
No dia em que celebramos a vitória de Cristo sobre o pecado e
a morte, também nós somos convidados a morrer ao pecado e
ressurgir para uma vida nova. Reconheçamo-nos necessitados da
misericórdia do Pai. (Se for domingo).
No início desta celebração eucarística, peçamos a conversão do
coração, fonte de reconciliação e comunhão com Deus e com os
irmãos e irmãs.
De coração contrito e humilde, aproximemo-nos do Deus justo e
santo, para que tenha piedade de nós, pecadores.
Em Jesus Cristo, o justo, que intercede por nós e nos
reconcilia com o Pai, abramos o nosso espírito ao
arrependimento para sermos menos indignos de aproximar-nos da
mesa do Senhor.
O Senhor disse: "Quem dentre vós estiver sem pecado, atire a
primeira pedra". Reconheçamo-nos todos pecadores e
perdoemo-nos mutuamente do fundo do coração.
Após um momento de pausa, para que possamos analisar nossa
consciência, faz-se, de fato, o ato de penitência, que pode
ser de vários tipos: falados, dialogados ou cantados.
O mais comum é aquele em que o comentarista faz três reflexões
e, ao final de cada uma delas, diz, respectivamente: Senhor,
tende piedade de nós; Cristo, tende piedade de nós; Senhor,
tende piedade de nós, ao que é repetido, logo após, por toda a
comunidade arrependida. Por exemplo:
Comentarista: "Senhor, que na água e no Espírito nos
regenerastes à vossa imagem, tende piedade de nós."
Assembléia: "Senhor, tende piedade de nós".
Comentarista: "Cristo, que enviais o vosso Espírito para criar
em nós um coração novo, tende piedade de nós."
Assembléia: "Cristo, tende piedade de nós".
Comentarista: "Senhor, que nos tornastes participantes do
vosso Corpo e do vosso Sangue, tende piedade de nós".
Assembléia: "Senhor, tende piedade de nós".
Pode, entretanto, o próprio sacerdote emendar seu convite
inicial com um "Confessemos os nossos pecados". Neste caso, a
assembléia reconhecerá publicamente os seus pecados, dizendo:
Confesso a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos e irmãs, que
pequei muitas vezes, por pensamentos e palavras, atos e
omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa. E peço à
Virgem Maria, aos Anjos e Santos, e a vós, irmãos e irmãs, que
rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.
Trata-se, como vemos, de um reconhecimento de todo tipo de
culpa (pensamentos, palavras, atos e omissões) juntamente com
um pedido de intercessão à Igreja Triunfante e Militante: a
chamada comunhão dos santos.
Ao invés, o sacerdote pode entrar em diálogo com a assembléia,
suplicando:
Sacerdote: "Tende compaixão de nós, Senhor".
Assembléia: "Porque somos pecadores".
Sacerdote: "Manifestai, Senhor, a vossa misericórdia".
Assembléia: "E dai-nos a vossa Salvação".
Nestes dois casos, terminado o reconhecimento da culpa ou o
diálogo, deve-se fazer a invocação de Cristo, de forma
simples:
Sacerdote: "Senhor, tende piedade de nós".
Assembléia: "Senhor, tende piedade de nós".
Sacerdote: "Cristo, tende piedade de nós".
Assembléia: "Cristo, tende piedade de nós".
Sacerdote: "Senhor, tende piedade de nós".
Assembléia: "Senhor, tende piedade de nós".
Ou, então, se quiser usar de mais simbolismo, poderá o
sacerdote percorrer a assembléia, aspergindo água benta e
dialogando:
Sacerdote: "'Derramarei sobre vós uma água pura. Sereis
purificados de todas as vossas faltas e vos darei um coração
novo' - diz o Senhor. Tende piedade de mim, ó Deus!"
Assembléia: "Segundo vossa grande misericórdia!"
Sacerdote: "Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!"
Assembléia: "Assim como era no princípio, agora e sempre.
Amém!"
Pode, ainda, o Ato Penitencial ser cantado. Existem diversas
músicas para esse fim. Eis duas delas:
Cantor: "Senhor que viestes salvar os corações arrependidos".
Assembléia: "Piedade, piedade, piedade de nós". (bis)
Cantor: "Oh Cristo que viestes chamar os pecadores
humilhados".
Assembléia: "Piedade, piedade, piedade de nós". (bis)
Cantor: "Senhor que intercedeis por nós junto a Deus Pai que
nos perdoa".
Assembléia: "Piedade, piedade, piedade de nós". (bis)
ou
Cantor: "Senhor, tende piedade e perdoai a nossa culpa... e
perdoai a nossa culpa".
Assembléia: "Porque nós somos vosso povo, que vem pedir vosso
perdão".
Cantor: "Cristo, tende piedade e perdoai a nossa culpa... e
perdoai a nossa culpa".
Assembléia: "Porque nós somos vosso povo, que vem pedir vosso
perdão".
Cantor: "Senhor, tende piedade e perdoai a nossa culpa... e
perdoai a nossa culpa".
Assembléia: "Porque nós somos vosso povo, que vem pedir vosso
perdão".
Terminado o Ato Penitencial, o sacerdote concede a absolvição,
de forma espontânea ou utilizando a fórmula:
Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos
pecados e nos conduza à vida eterna.
E assembléia conclui com um Amém!
HINO DE LOUVOR
O "Glória" é hino à Santíssima Trindade que segue ao Ato
Penitencial para expressar o nosso agradecimento e felicidade
pelo perdão de Deus.
Pode ser recitado ou cantado mas, seja como for, deve ser
feito de forma alegre e não carrancuda.
Para isso, devemos nos inspirar na alegria do rei Davi (At
3,8-9), no Magnificat de Maria Santíssima (Lc 1,46-47), no
anúncio dos santos anjos (Lc 2,14), em Simeão ao ver o menino
Jesus (Lc 2,29-32).
Sendo recitado, deve seguir a fórmula:
Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele
amados.
Senhor Deus, rei dos céus, Deus Pai todo-poderoso, nós vos
amamos, nós vos bendizemos, nós vos adoramos, nós vos
glorificamos, Nós vos damos graças por vossa imensa glória.
Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito, Senhor Deus, cordeiro de
Deus, Filho de Deus Pai, vós que tirais o pecado do mundo,
tende piedade de nós; vós que tirais o pecado do mundo,
acolhei a nossa súplica; vós que estais à direita do Pai, ende
piedade de nós.
Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vós o Altíssimo,
Jesus Cristo, com o Espírito Santo, na glória de Deus Pai.
Amém.
Essa recitação, para maior beleza, poderá ser feita em dois
coros: o da direita e o da esquerda, o dos homens e o das
mulheres, ou qualquer outra combinação.
Se for cantado e não for possível seguir literalmente a
fórmula acima, a música deverá conter, pelo menos, o glória ao
Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, isto é, deverá glorificar
cada uma das pessoas da Santíssima Trindade. Da mesma forma
que o Ato Penitencial, também existem diversas músicas que
glorificam a Santíssima Trindade; entre elas, escolhemos a
seguinte, a título de ilustração:
Glória a Deus nos altos céus!
Paz na terra a seus amados!
A vós louvam, Rei celeste,
os que foram libertados.
Refrão: - Glória a Deus, lá nos céus e paz aos seus. Amém!
Deus e Pai, nós vos louvamos,
adoramos, bendizemos,
damos glória ao vosso nome,
vossos dons agradecemos.
Senhor nosso, Jesus Cristo,
Unigênito do Pai,
vós de Deus Cordeiro santo,
nossas culpas perdoai!
Vós que estais junto do Pai,
como nosso intercessor,
acolhei nossos pedidos,
atendei nosso clamor!
Vós somente sois o Santo,
o Altíssimo, o Senhor,
com o Espírito Divino,
de Deus Pai no esplendor!
O "Glória" é cantado e recitado aos domingos e nas festas dos
santos. Não é recitado nem cantado durante o período da
Quaresma e do Advento, bem como durante os dias da semana,
porque tendo ele um sentido de alegria e solenidade, fica sem
sentido durante a Quaresma e o Advento, quando estamos nos
preparando para a alegria maior (a Páscoa e o Natal), e
durante os dias da semana, que tem sentido festivo. Fora essas
exceções, o "Glória" deverá ser sempre recitado ou cantado, ou
seja, não poderá ser omitido de forma alguma.
ORAÇÃO COLETA
A oração coleta assinala a última parte dos ritos
introdutórios da Santa Missa. Tem o nome de "coleta" porque
visa reunir em uma única oração todas as orações da
comunidade.
Ela sempre se inicia com um solene "Oremos", proclamado pelo
sacerdote, seguido de um instante de silêncio onde a
comunidade pode orar em silêncio e tomar consciência de que
está na presença de Deus, com quem se relacionará filialmente.
A seguir, o sacerdote eleva as mãos e profere a oração
oficial, própria do tempo, da solenidade ou da memória, em
nome de toda a Igreja. Elevando as mãos, o sacerdote simboliza
a oração do povo de Deus se elevando até Ele.
Se a oração for dirigida a Deus Pai, será concluída com as
palavras:
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do
Espírito Santo.
Mas, se a oração for dirigida ao Pai e se encerrar com a
palavra Filho, o sacerdote usará, ao invés, as palavras:
...que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.
Contudo, se a oração for dirigida ao Senhor Jesus Cristo, o
sacerdote concluirá a oração coleta com os seguintes dizeres:
Vós que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo.
Vemos, assim, que a oração é dedicada à Santíssima Trindade,
não havendo, portanto, distinção entre as Pessoas, como se
fossem três deuses, o que seria impossível.
Concluindo a oração coleta com essas palavras, toda a
comunidade aclama com um firme "Amém" e dá-se início ao Rito
da Palavra.
Parte 2
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