Leia a entrevista do nosso Pároco Pe. Wander concedida à Revista das Religiões (Mar/05) falando sobre nosso Padroeiro São José.

1 – Como é a devoção popular a São José hoje?

R: A devoção a São José é muito vasta. Muitas pessoas recorrem ao Santo para pedir emprego, proteção e paz na família, visto que é o Pai adotivo de Jesus e esposo de Maria, ajudou a Sagrada Família a superar muitas dificuldades. Entre o Povo de Deus, figuram manifestações de apreço pelo santo de modos distintos. Há fiéis que ofertam flores, geralmente lírios, relacionadas à eleição de José para desposar a Virgem Santíssima; outros participam piedosamente das Missas dos dias 19 de cada mês, em atitude de caminhada vinculada ao peregrino que, com suas viagens, salvou a vida do Menino das mãos de Herodes e de Arquelau, bem como o apresentou ao Templo de Jerusalém, por ocasião da celebração da purificação de sua esposa e, mais tarde, lá o encontrou como anunciador da Aliança. Há, ainda, fiéis que devotam esforços no atendimento aos carentes, sobretudo crianças, e aos moribundos, pela oração em suas intenções e pela ação assistencial. Outra prática de alguns fiéis consiste em recolher moedas, por períodos determinados, em saquinhos consagrados ao Pai Nutrício do Filho de Deus, em vista de ofertá-los à comunidade como esforço pessoal para que os pobres sejam assistidos em suas necessidades básicas pelas obras sociais da Igreja, consagrada ao seu Patrocínio.

2 – Como é a Festa de São José, no dia 19 de março? Por que a data escolhida por 19 de março?

R: Na nossa Paróquia a festa acontece há 84 anos. Os fiéis participam da parte religiosa e visitam as várias barracas onde adquirem velas, flores, artigos religiosos e podem saborear comidas, chás, cafés e, sobretudo, do tradicional “bolo de São José”, oferecido por paroquianos que os preparam em suas próprias casas. A festa enseja um momento muito propício para reencontrar os amigos e experimentar o que diz o Salmista: “Senhor, um só dia em sua casa vale mais do que milhares fora dela”. Ao alvorecer, ocorre um queima de fogos anunciando as Laudes (alegrias matinais) dos fiéis do território paroquial. Na seqüência são celebradas diversas Missas votivas, todas bastante concorridas. O encerramento da última Missa do dia se dá com uma Procissão que percorre algumas ruas do bairro, conduzindo a imagem do Padroeiro, como sinal de reconhecimento pelos devotos do testemunho de vida de São José; uma busca de associação e de entrega ao Plano de Deus, seguindo o exemplo do santo.Segundo antiga tradição, São José morreu no dia 19 de março, por isso a razão da Festa ser neste dia.

3 – Há alguma oração especial que os cristãos rezam a São José? Qual é?

Diversos santos testemunharam sua devoção a São José. Destacam-se, entre eles, Santo Afonso Maria de Ligório, que compôs uma obra com orações breves denominada “Visitas ao Santíssimo Sacramento, à Virgem Maria e a São José”, santa Terezinha do Menino Jesus e a brasileira Santa Paulina, que atestou ter conseguido iniciar sua obra religiosa graças à intercessão do santo. São Bernardino de Sena compôs a oração “Lembra-te de nós, São José”, talvez inspirada no “Lembrai-vos, ó piíssima Virgem Maria” escrito por São Bernardo de Claraval. A referida oração diz:
”Lembra-te de nós, São José, e pelo sufrágio de tua oração intercede junto de teu Filho adotivo; mas torna-nos também propícia tua esposa, a Santíssima Virgem, a mãe daquele que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina pelos séculos sem fim. Amém”.

4 – Ele é considerado “padroeiro” de algum segmento da sociedade?

R: Por estar relatado no Evangelho que José era carpinteiro, são José é padroeiro de todos os trabalhadores, mas é preciso distinguir a Festa do dia 19 de março que se trata do esposo de Maria e a Festa do dia 1º de Maio que é São José Operário. Na primeira, se atualiza os Mistérios de Deus que se encarna no seio de uma família humana; na segunda, se reflete sobre a dignidade e a necessidade do trabalho humano na ação redentora de Jesus, que foi alimentado pelo trabalho de São José. É um momento importante de se solidarizar com os que não dispõem de condições de emprego e trabalho, bem como de buscar transformações que conduzam a uma sociedade capaz de garantir a todos os meios de viverem com dignidade.

5 – Quais são os ensinamentos e as mensagens que estão por trás das ações de são José narradas no Novo Testamento?

R: Os evangelhos (de Mateus e de Lucas) falam muito pouco sobre a figura e pessoa de José. Afirmam que ele é da descendência de Davi (24 gerações). Falam que ele é um homem justo e casto. José é um santo que não falou nada, não escreveu nada, mas sua vida foi uma mensagem viva de amor a Deus e ao próximo. Último dos Patriarcas que recebe e acolhe a mensagem de Deus pela via dos sonhos, José é o homem que faz a ligação de Jesus com a herança de Israel. Analogamente ao seu homônimo do Antigo Testamento, José, pelo sonho, salva a vida de seu povo, uma vez que assegura a Jesus a possibilidade de chegar à fase adulta, na qual multiplicará os pães e os peixes. José pode ser visto como um novo Abraão que, como o primeiro, vai ao Egito e guarda a castidade de Maria, podendo, sem mentir ao faraó como fizera o primeiro sobre Sara, dizer “esta é minha irmã”. No deserto, ele faz a experiência do encontro com o novo Melquisedec, pois é neste ambiente que ocorrem seus primeiros contatos com Jesus, recém-nascido em Belém. Seu regresso à sua terra é apresentado como a saga de um peregrino que, pela opressão dos poderosos, é obrigado a migrar para uma terra distante (a Galiléia). É lá, junto de Zabulon e Neftali, filhos de Israel que ainda não haviam cruzado o Jordão aberto pela Arca da Aliança (figura do Povo liberto do tirano faraó e redimido das apostasias ocasionadas pelas agruras do deserto) que Jesus iniciará sua Missão Redentora anunciando a libertação aos pobres e aos cativos. Sobre a religiosidade de José, a Bíblia menciona o fato de que ele ia todos os anos ao Templo para a Páscoa. Isto indica que José possuía os mesmos costumes de seus conterrâneos, visto que suas peregrinações são descritas como caravanas. José era um homem do povo, que gostava de andar com o povo (e não sozinho) e não se considerava mais importante que seus compatriotas, em vista de seu trabalho socialmente valorizado (profissional liberal). Sua última aparição nos Textos Sagrados se dá no encontro de Jesus no Templo, ocasião em que é chamado por Maria de “pai de Jesus”, embora todo o contexto evangélico mostre que esta paternidade não é biológica. Tendo ouvido dos lábios de sua mãe: “teu pai e eu, aflitos, te procurávamos”, Jesus, segundo o evangelista, não permanece no Templo indefinidamente, mas vai com José e Maria para Nazaré e lhes é submisso, num sinal claro de que o que ele dissera no Templo “devo estar na casa de meu Pai” foi um alargamento da concepção do Templo como o local da Presença de Deus. É na relação com os pais e, através deles, com toda a humanidade que habita Deus (onde há caridade e amor, Deus ali está) (Ubi caritas et amor, Deus ibi est).

6 – Em que momento História da Igreja Católica São Jose passou a ser importante? Ele chegou a ser canonizado ou teve seu papel “oficializado” em algum Concílio?

R: A Igreja sempre se voltou para a figura de São José, pois devido as virtudes da pureza, castidade e justiça, aprendeu muito e soube caminhar segundo os ensinamentos de Deus. Porém, em tempos difíceis para a Igreja, Pio IX, desejando confiá-la à especial proteção do Santo Patriarca José, declarou-o “Patrono da Igreja Católica”. O papa Leão XIII expõe as razões pelas quais são José tornou-se patrono da Igreja “por ser esposo de Maria e pai legal de Jesus”. João XXIII o inclui no Cânon Romano. O Papa Pio XII, em 1955, institui a memória litúrgica da festa de São José Operário. Não chegou a ser canonizado por nenhum papa, mas nem precisaria, pois só o fato de ser o pai legal de Jesus, o Filho de Deus, já lhe rendeu todas as glórias celestes. Segundo antiga Tradição, São José, para alguns, Santíssimo Jose, morreu nos braços de Jesus. Esse é o sonho de todo o cristão.

Padre Wander de Souza Carmo, nds

                                                                                                                                           Pároco

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