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O Terço |
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Meditação dos mistérios
O Rosário, “compêndio do Evangelho”
À contemplação do rosto de Cristo só podemos
introduzir-nos escutando, no Espírito, a voz do Pai,
porque « ninguém conhece o Filho senão o Pai » (Mt 11,
27). Nas proximidades de Cesaréia de Filipe, perante a
confissão de Pedro, Jesus especificará a fonte de uma
tão clara intuição da sua identidade: « Não foram a
carne nem o sangue quem to revelou, mas o meu Pai que
está nos céus » (Mt 16, 17). É, pois, necessária a
revelação do alto. Mas, para acolhê-la, é indispensável
colocar-se à escuta: “Só a experiência do silêncio e da
oração oferece o ambiente adequado para maturar e
desenvolver-se um conhecimento mais verdadeiro, aderente
e coerente daquele mistério”.(27)
O Rosário é um dos percursos tradicionais da oração
cristã aplicada à contemplação do rosto de Cristo. Paulo
VI assim o descreveu: « Oração evangélica, centrada
sobre o mistério da Encarnação redentora, o Rosário é,
por isso mesmo,uma prece de orientação profundamente
cristológica. Na verdade, o seu elemento mais
característico – a repetição litânica do “Alegra-te,
Maria”– torna-se também ele louvor incessante a Cristo,
objectivo último do anúncio do Anjo e da saudação da mãe
do Baptista: “Bendito o fruto do teu ventre” (Lc 1, 42).
Diremos mais ainda: a repetição da Avé Maria constitui a
urdidura sobre a qual se desenrola a contemplação dos
mistérios; aquele Jesus que cada Avé Maria relembra é o
mesmo que a sucessão dos mistérios propõe, uma e outra
vez, como Filho de Deus e da Virgem Santíssima ».(28)
Uma inserção oportuna
De tantos mistérios da vida de Cristo, o Rosário, tal
como se consolidou na prática mais comum confirmada pela
autoridade eclesial, aponta só alguns. Tal selecção foi
ditada pela estruturação originária desta oração, que
adoptou o número 150 como o dos Salmos.
Considero, no entanto, que, para reforçar o espessor
cristológico do Rosário, seja oportuna uma inserção que,
embora deixada à livre valorização de cada pessoa e das
comunidades, lhes permita abraçar também os mistérios da
vida pública de Cristo entre o Baptismo e a Paixão. Com
efeito, é no âmbito destes mistérios que contemplamos
aspectos importantes da pessoa de Cristo, comorevelador
definitivo de Deus. É Ele que, declarado Filho dilecto
do Pai no Baptismo do Jordão, anuncia a vinda do Reino,
testemunha-a com as obras e proclama as suas exigências.
É nos anos da vida pública que o mistério de Cristo se
mostra de forma especial como mistério de luz: «
Enquanto estou no mundo, sou a Luz do mundo » (Jo 9, 5).
Para que o Rosário possa considerar-se mais plenamente
“compêndio do Evangelho”, é conveniente que, depois de
recordar a encarnação e a vida oculta de Cristo
(mistérios da alegria), e antes de se deter nos
sofrimentos da paixão (mistérios da dor), e no triunfo
da ressurreição (mistérios da glória), a meditação se
concentre também sobre alguns momentos particularmente
significativos da vida pública (mistérios da luz). Esta
inserção de novos mistérios, sem prejudicar nenhum
aspecto essencial do esquema tradicional desta oração,
visa fazê-la viver com renovado interesse na
espiritualidade cristã, como verdadeira introdução na
profundidade do Coração de Cristo, abismo de alegria e
de luz, de dor e de glória.
Mistérios da alegria - Gozosos
20. O primeiro ciclo, o dos “mistérios gozosos”,
caracteriza-se de facto pela alegria que irradia do
acontecimento da Encarnação. Isto é evidente desde a
Anunciação, quando a saudação de Gabriel à Virgem de
Nazaré se liga ao convite da alegria messiânica: «
Alegra-te, Maria ». Para este anúncio se encaminha a
história da salvação, e até, de certo modo, a história
do mundo. De facto, se o desígnio do Pai é recapitular
em Cristo todas as coisas (cf. Ef 1, 10), então todo o
universo de algum modo é alcançado pelo favor divino,
com o qual o Pai Se inclina sobre Maria para torná-La
Mãe do seu Filho. Por sua vez, toda a humanidade está
como que incluída no fiat com que Ela corresponde
prontamente à vontade de Deus.
Sob o signo da exultação, aparece depois a cena do
encontro com Isabel, onde a mesma voz de Maria e a
presença de Cristo no seu ventre fazem « saltar de
alegria » João (cf. Lc 1, 44). Inundada de alegria é a
cena de Belém, onde o nascimento do Deus-Menino, o
Salvador do mundo, é cantado pelos anjos e anunciado aos
pastores precisamente como « uma grande alegria » (Lc 2,
10).
Os dois últimos mistérios, porém, mesmo conservando o
sabor da alegria antecipam já os sinais do drama. A
apresentação no templo, de fato, enquanto exprime a
alegria da consagração e extasia o velho Simeão,
registra também a profecia do « sinal de contradição »
que o Menino será para Israel e da espada que
trespassará a alma da Mãe (cf. Lc 2, 34-35). Gozoso e ao
mesmo tempo dramático é também o episódio de Jesus, aos
doze anos, no templo. Vemo-Lo aqui na sua divina
sabedoria, enquanto escuta e interroga, e
substancialmente no papel d'Aquele que “ensina”. A
revelação do seu mistério de Filho totalmente dedicado
às coisas do Pai é anúncio daquela radicalidade
evangélica que põe inclusive em crise os laços mais
caros do homem, diante das exigências absolutas do
Reino. Até José e Maria, aflitos e angustiados, « não
entenderam » as suas palavras (Lc 2, 50).
Por isso, meditar os mistérios gozosos significa entrar
nas motivações últimas e no significado profundo da
alegria cristã. Significa fixar o olhar sobre a
realidade concreta do mistério da Encarnação e sobre o
obscuro prenúncio do mistério do sofrimento salvífico.
Maria leva-nos a aprender o segredo da alegria cristã,
lembrando-nos que o cristianismo é, antes de mais,
euangelion, “boa nova”, que tem o seu centro, antes, o
seu mesmo conteúdo, na pessoa de Cristo, o Verbo feito
carne, único Salvador do mundo.
Mistérios da luz
Passando da infância e da vida de Nazaré à vida pública
de Jesus, a contemplação leva-nos aos mistérios que se
podem chamar, por especial título, “mistérios da luz”.
Na verdade, todo o mistério de Cristo é luz. Ele é a «
luz do mundo » (Jo8, 12). Mas esta dimensão emerge
particularmente nos anos da vida pública, quando Ele
anuncia o evangelho do Reino. Querendo indicar à
comunidade cristã cinco momentos significativos –
mistérios luminosos – desta fase da vida de Cristo,
considero que se podem justamente individuar: 1o no seu
Baptismo no Jordão, 2o na sua auto-revelação nas bodas
de Caná, 3o no seu anúncio do Reino de Deus com o
convite à conversão, 4o na sua Transfiguração e, enfim,
5o na instituição da Eucaristia, expressão sacramental
do mistério pascal.
Cada um destes mistérios é revelação do Reino divino já
personificado no mesmo Jesus. Primeiramente é mistério
de luz o Baptismo no Jordão. Aqui, enquanto Cristo desce
à água do rio, como inocente que Se faz pecado por nós
(cf. 2 Cor 5, 21), o céu abre-se e a voz do Pai
proclama-O Filho dilecto (cf. Mt 3, 17 par), ao mesmo
tempo que o Espírito vem sobre Ele para investi-Lo na
missão que O espera. Mistério de luz é o início dos
sinais em Caná (cf. Jo 2, 1-12), quando Cristo,
transformando a água em vinho, abre à fé o coração dos
discípulos graças à intervenção de Maria, a primeira
entre os crentes. Mistério de luz é a pregação com a
qual Jesus anuncia o advento do Reino de Deus e convida
à conversão (cf. Mc 1, 15), perdoando os pecados de quem
a Ele se dirige com humilde confiança (cf.Mc 2, 3-13; Lc
7, 47-48), início do ministério de misericórdia que Ele
prosseguirá exercendo até ao fim do mundo, especialmente
através do sacramento da Reconciliação confiado à sua
Igreja (cf. Jo 20, 22-23). Mistério de luz por
excelência é a Transfiguração que, segundo a tradição,
se deu no Monte Tabor. A glória da Divindade reluz no
rosto de Cristo, enquanto o Pai O acredita aos Apóstolos
extasiados para que O « escutem » (cf. Lc 9, 35 par) e
se disponham a viver com Ele o momento doloroso da
Paixão, a fim de chegarem com Ele à glória da
Ressurreição e a uma vida transfigurada pelo Espírito
Santo. Mistério de luz é, enfim, a instituição da
Eucaristia, na qual Cristo Se faz alimento com o seu
Corpo e o seu Sangue sob os sinais do pão e do vinho,
testemunhando « até ao extremo » o seu amor pela
humanidade (Jo 13, 1), por cuja salvação Se oferecerá em
sacrifício.
Nestes mistérios, à excepção de Caná, a presença de
Maria fica em segundo plano. Os Evangelhos mencionam
apenas alguma presença ocasional d'Ela no tempo da
pregação de Jesus (cf.Mc 3, 31-35; Jo 2, 12) e nada
dizem de uma eventual presença no Cenáculo durante a
instituição da Eucaristia. Mas, a função que desempenha
em Caná acompanha, de algum modo, todo o caminho de
Cristo. A revelação, que no Baptismo do Jordão é
oferecida directamente pelo Pai e confirmada pelo
Baptista, está na sua boca em Caná, e torna-se a grande
advertência materna que Ela dirige à Igreja de todos os
tempos: « Fazei o que Ele vos disser » (Jo 2, 5).
Advertência esta que introduz bem as palavras e os
sinais de Cristo durante a vida pública, constituindo o
fundo mariano de todos os “mistérios da luz”.
Mistérios da dor - Dolorosos
Os Evangelhos dão grande relevo aos mistérios da dor de
Cristo. A piedade cristã desde sempre, especialmente na
Quaresma, através do exercício da Via Sacra, deteve-se
em cada um dos momentos da Paixão, intuindo que aqui
está o ápice da revelação do amor e a fonte da nossa
salvação. O Rosário escolhe alguns momentos da Paixão,
induzindo o orante a fixar neles o olhar do coração e a
revivê-los. O itinerário meditativo abre-se com o
Getsémani, onde Cristo vive um momento de particular
angústia perante a vontade do Pai, contra a qual a
debilidade da carne seria tentada a revoltar-se. Ali
Cristo põe-Se no lugar de todas as tentações da
humanidade, e diante de todos os seus pecados, para
dizer ao Pai: « Não se faça a minha vontade, mas a Tua »
(Lc 22, 42 e par). Este seu “sim” muda o “não” dos pais
no Éden. E o quanto Lhe deverá custar esta adesão à
vontade do Pai, emerge dos mistérios seguintes, nos
quais, com a flagelação, a coroação de espinhos, a
subida ao Calvário, a morte na cruz, Ele é lançado no
maior desprezo: Ecce homo!
Neste desprezo, revela-se não somente o amor Deus, mas o
mesmo sentido do homem. Ecce homo: quem quiser conhecer
o homem, deve saber reconhecer o seu sentido, a sua raiz
e o seu cumprimento em Cristo, Deus que Se rebaixa por
amor « até à morte, e morte de cruz » (Fil 2, 8). Os
mistérios da dor levam o crente a reviver a morte de
Jesus pondo-se aos pés da cruz junto de Maria, para com
Ela penetrar no abismo do amor de Deus pelo homem e
sentir toda a sua força regeneradora.
Mistérios da glória - Gloriosos
“A contemplação do rosto de Cristo não pode deter-se na
imagem do crucificado. Ele é o Ressuscitado!”.(29)O
Rosário sempre expressou esta certeza da fé, convidando
o crente a ultrapassar as trevas da Paixão, para fixar o
olhar na glória de Cristo com a Ressurreição e a
Ascensão. Contemplando o Ressuscitado, o cristão
descobre novamente as razões da própria fé (cf. 1 Cor
15, 14), e revive não só a alegria daqueles a quem
Cristo Se manifestou – os Apóstolos, a Madalena, os
discípulos de Emaús –, mas também a alegria de Maria,
que deverá ter tido uma experiência não menos intensa da
nova existência do Filho glorificado. A esta glória,
onde com a Ascensão Cristo Se senta à direita do Pai,
Ela mesma será elevada com a Assunção, chegando, por
especialíssimo privilégio, a antecipar o destino
reservado a todos os justos com a ressurreição da carne.
Enfim, coroada de glória – como aparece no último
mistério glorioso – Ela resplandece como Rainha dos
Anjos e dos Santos, antecipação e ponto culminante da
condição escatológica da Igreja.
No centro deste itinerário de glória do Filho e da Mãe,
o Rosário põe, no terceiro mistério glorioso, o
Pentecostes, que mostra o rosto da Igreja como família
reunida com Maria, fortalecida pela poderosa efusão do
Espírito, pronta para a missão evangelizadora. No âmbito
da realidade da Igreja, a contemplação deste, como dos
outros mistérios gloriosos, deve levar os crentes a
tomarem uma consciência cada vez mais viva da sua nova
existência em Cristo, uma existência de que o
Pentecostes constitui o grande “ícone”. Desta forma, os
mistérios gloriosos alimentam nos crentes a esperança da
meta escatológica, para onde caminham como membros do
Povo de Deus peregrino na história. Isto não pode deixar
de impelí-los a um corajoso testemunho daquela « grande
alegria » que dá sentido a toda a sua vida.
Dos “mistérios” ao “Mistério”: o caminho de Maria
Estes ciclos meditativos propostos no Santo Rosário não
são certamente exaustivos, mas apelam ao essencial,
introduzindo o espírito no gosto de um conhecimento de
Cristo que brota continuamente da fonte límpida do texto
evangélico. Cada passagem da vida de Cristo, como é
narrada pelos Evangelistas, reflecte aquele Mistério que
supera todo o conhecimento (cf. Ef 3, 19). É o Mistério
do Verbo feito carne, no Qual « habita corporalmente
toda a plenitude da divindade » (Col 2, 9).
Por isso, o Catecismo da Igreja Católica insiste tanto
nos mistérios de Cristo, lembrando que « tudo na vida de
Jesus é sinal do seu Mistério ».(30)O “duc in altum” da
Igreja no terceiro Milénio é medido pela capacidade dos
cristãos de « conhecerem o mistério de Deus, isto é
Cristo, no Qual estão escondidos todos os tesouros da
sabedoria e da ciência » (Col 2, 2-3). A cada baptizado
é dirigido este voto ardente da Carta aos Efésios: « Que
Cristo habite pela fé nos vossos corações, de sorte que,
arraigados e fundados na caridade, possais [...]
compreender o amor de Cristo, que excede toda a ciência,
para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus » (3,
17-19).
O Rosário coloca-se ao serviço deste ideal, oferecendo o
“segredo” para se abrir mais facilmente a um
conhecimento profundo e empenhado de Cristo. Digamos que
é o caminho de Maria. É o caminho do exemplo da Virgem
de Nazaré, mulher de fé, de silêncio e de escuta. É, ao
mesmo tempo, o caminho de uma devoção mariana animada
pela certeza da relação indivisível que liga Cristo à
sua Mãe Santíssima: os mistérios de Cristo são também,
de certo modo, os mistérios da Mãe, mesmo quando não
está directamente envolvida, pelo facto de Ela viver
d'Ele e para Ele. Na Avé Maria, apropriando-nos das
palavras do Arcanjo Gabriel e de Santa Isabel,
sentimo-nos levados a procurar sempre de novo em Maria,
nos seus braços e no seu coração, o « fruto bendito do
seu ventre » (cf. Lc 1, 42).
Mistério de Cristo, “mistério” do homem
No citado testemunho de 1978 sobre o Rosário como minha
oração predilecta, exprimi um conceito sobre o qual
desejo retornar. Dizia então que « a simples oração do
Rosário marca o ritmo da vida humana ».(31)
À luz das reflexões desenvolvidas até agora sobre os
mistérios de Cristo, não é difícil aprofundar esta
implicação antropológica do Rosário; uma implicação mais
radical do que possa parecer à primeira vista. Quem
contempla a Cristo,percorrendo as etapas da sua vida,
não pode deixar de aprender d'Ele a verdade sobre o
homem. É a grande afirmação do Concílio Vaticano II que,
desde a Carta encíclica Redemptor hominis, tantas vezes
fiz objecto do meu magistério: “Na realidade, o mistério
do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece
verdadeiramente”.(32)O Rosário ajuda a abrir-se a esta
luz. Seguindo o caminho de Cristo, no qual o caminho do
homem é « recapitulado »,(33)manifestado e redimido, o
crente põe-se diante da imagem do homem verdadeiro.
Contemplando o seu nascimento aprende a sacralidade da
vida, olhando para a casa de Nazaré aprende a verdade
originária da família segundo o desígnio de Deus,
escutando o Mestre nos mistérios da vida pública recebe
a luz para entrar no Reino de Deus, e seguindo-O no
caminho para o Calvário aprende o sentido da dor
salvífica. Contemplando, enfim, a Cristo e sua Mãe na
glória, vê a meta para a qual cada um de nós é chamado,
se se deixa curar e transfigurar pelo Espírito Santo.
Pode-se dizer, portanto, que cada mistério do Rosário,
bem meditado, ilumina o mistério do homem.
Ao mesmo tempo, torna-se natural levar a este encontro
com a humanidade santa do Redentor os numerosos
problemas, agruras, fadigas e projectos que definem a
nossa vida. « Descarrega sobre o Senhor os teus
cuidados, e Ele tesustentará » (Sal 55, 23). Meditar com
o Rosário significa entregar os nossos cuidados aos
corações misericordiosos de Cristo e da sua Mãe. À
distância de vinte e cinco anos, ao reconsiderar as
provações que não faltaram nem mesmo no exercício do
ministério petrino, desejo insistir, como para convidar
calorosamente a todos, a fim de que experimentem
pessoalmente isto mesmo: verdadeiramente o Rosário «
marca o ritmo da vida humana » para harmonizá-la com o
ritmo da vida divina, na gozosa comunhão da Santíssima
Trindade, destino e aspiração da nossa existência.
(Resumo da carta Apostólica do Papa João Paulo II sobre
o Santo Rosário - www.cancaonova.com)
O ROSÁRIO
Toda pessoa humana gosta de receber presentes, gosta de
receber elogios, sente-se bem quando alguém lhe dirige
uma palavra de amor.
A maneira mais fácil de manifestar carinho é oferever
uma rosa. Maneira simples e sublime.
A rosa, economicamente, significa pouco. Mas sua
mensagem é tudo. É um mistério da natureza humana. Um
pouco de divino e um algo natural.
Se expressamos um amor muito grande quando oferecemos
uma rosa a alguém, nosso amor será maior quando
oferecemos mais rosas, quando mais demonstrações de
carinho fizermos.
Porque amamos nossa Mãe, a Mãe de Jesus, a Mãe da
igreja, nós gostamos de lhe oferecer rosas, gostamos de
elogiar: "Ave, Maria, cheia de graça..."
Cada vez que rezamos uma Ave-Maria, é uma rosa que
entregamos a nossa Mãe. O rosário é um buquê de rosas
que oferecemos.
Ao mesmo tempo que saudamos e prestamos uma homenagem à
Mãe de Deus e nossa, recordamos toda a história de nossa
salvação, meditando nos fatos e relembrando as pessoas
mais importantes dentro do plano que Deus estabeleceu
para nossa salvação em Cristo.
O rosário se divide em quatro terços:
Mistérios Gozosos
Mistérios Dolorosos
Mistérios Gloriosos
Mistérios da Luz
O TERÇO
O terço é a terça parte do rosário. É um conjunto de
orações, de atos de amor, que fazemos meditando nos
principais mistérios de nossa fé. São as rosas que por
amor, oferecemos à Mãe de Deus.
O terço é um conjunto de Ave-Marias e Pai-Nossos. São
cinqüenta Ave-Marias rezadas em grupo de dez, que se
chamam Mistérios. Após cada Mistério segue um Pai-Nosso.
OS MISTÉRIOS
Mistérios Gozosos
(Segunda, sábado e domingo)
Os mistérios gozosos nos auxiliam a ter um conhecimento
mais profundo do amor a Deus. Ajudam-nos a meditar no
grande Mistério da Encarnação. Deus manifesta seu amor
salvifíco por nós.
1. Anunciação do anjo Gabriel à Virgem Maria.
"Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo..." (Lc 1,
28-38)
2. A visita de Maria a sua prima Santa Isabel.
"De onde me vem a felicidade de que a Mãe do meu Senhor
me visite!" (Lc 1, 43)
3. Nascimento de Jesus na gruta de Belém.
"O verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1, 14)
4. Apresentação do Menino Jesus no templo.
"Eis que este Menino está destinado para ser sinal de
contradição." (Lc 2, 34)
5. O encontro do Menino Jesus no templo.
"Porque me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me
com as coisas de meu Pai?" (Lc 2, 49)
Mistérios da luz
(Quinta-feira)
Os mistérios da luz, reflete desde a infância de Jesus,
sua vida de Nazaré à vida pública de Jesus.Cada um
destes mistérios é revelação do Reino divino já
personificado no mesmo Jesus.
1. Batismo do Senhor no Jordão.
"Depois de ser batizado, Jesus logo saiu da água. Então
o céu se abriu, e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo
como pomba e pousando sobre ele. E do céu veio uma voz,
dizendo: «Este é o meu Filho amado, que muito me
agrada.» (Mt 3, 16s)
2. As Bodas de Caná.
"No terceiro dia, houve uma festa de casamento em Caná
da Galiléia, e a mãe de Jesus estava aí. 2 Jesus também
tinha sido convidado para essa festa de casamento, junto
com seus discípulos."(Jo 2, 1-12)
3. A proclamação do Reino.
"O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo.
Convertam-se e acreditem na Boa Notícia." (Mc 1, 15)
4. A transfiguração de Jesus.
"Mas, da nuvem saiu uma voz que dizia: «Este é o meu
Filho, o Escolhido. Escutem o que ele diz!"(Lc 9, 35)
5. A Entrada em Jerusalém e a Instituição da Eucaristia.
"Antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que tinha chegado
a sua hora. A hora de passar deste mundo para o Pai.
Ele, que tinha amado os seus que estavam no mundo,
amou-os até o fim."(Jo 13, 1)
Mistérios Dolorosos
(Terça-feira, sexta-feira - Nos domingos da Quaresmas)
Os mistérios dolorosos nos preparam para entender e
melhor viver os sofrimentos que Deus nos envia.
Apresentam-nos o Mistério da Redenção. É o grande amor
de Jesus por nós que chegou a dar a própria vida pela
nossa salvação.
1. A agonia de Jesus no Horto das Oliveiras.
"Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito
está pronto, mas a carne é fraca." (Mc 14, 38)
2. A flagelação de Jesus.
"Então Pilatos mandou prender e flagelar Jesus" (Jo 19,
1)
3. Jesus é coroado de espinhos.
"Teceram uma coroa de espinhos e puseram-na sobre sua
cabeça dizendo: Salve, rei dos judeus." (Mc 15, 17-18)
4. Jesus carrega a Cruz para o Monte Calvário.
"Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo,
tome sua cruz e me siga." (Mt 16, 24)
5. A crucificação, sofrimento e morte de Jesus.
"Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!" (Lc 23, 46)
Mistérios Gloriosos
(Quarta-feira e nos domingos do tempo Comum e Pascal)
Os mistérios Gloriosos nos convidam a viver na esperança
dos filhos de Deus. Apresentam-nos o grande Mistério da
Ressurreição de Jesus e nos convidam a caminhar para
ressuscitarmos um dia com Cristo.
1. A ressurreição de Jesus.
"Não temais! Sei que procureis Jesus crucificado. Não
está aqui, porque ressuscitou como havia predito" (Mt
28, 5-6)
2. A ascensão de Jesus aos Céus.
"E, enquanto os abençoava, foi-se afastando deles, e
subindo para o céu." (Lc 24, 51)
3. A descida do Espírito Santo.
"Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a
falar em outras línguas." (At 2, 4)
4. A assunção de Maria Santíssima aos Céus.
"Fez em mim grandes coisas o Todo-Poderoso." (Lc 1, 49)
5. Coroação de N. Sra. como Rainha do céu e da terra.
"Apareceu um grande sinal no céu, uma mulher vestida de
sol, com uma coroa de doze estrelas" (Ap 12, 1)
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